28.1.05

ainda não sai da mesma "viagem" que dura à dias,
estou um farrapo, não tenho força para nada...
não funciono a nível social, emocional, académico...
estou permanentemente anestesiado, só assim aguento.
é a única forma de aliviar a confusão dentro de mim.
é a única forma de aceitar perder dia após dia...

é tudo demais para mim...

22.1.05

"acabei de me acalmar, estou completamente intoxicado...
percebo isso quando olho em redor e tudo é diferente,
as minhas forças fugiram me e os sentidos estão mais sensíveis.
percorro o caminho mais longo, mais solitário, mais calmo.
agora as pessoas, os carros... o som da cidade são demais...
por isso oiço as músicas mais calmas, melancólicas, belas...
chego finalmente à estação, e imediatamente sinto me mudar.
as luzes fortes deixam me a descoberto, obrigam me a ver...
estão todos cheios de pressa, menos eu, estou quase parado...
o comboio vai enchendo, e o meu pânico cresce, sem razão.
é tudo demais para mim, entro numa confusão terrível...
sinto que estou a enlouquecer, quero gritar até ficar sem voz...
fecho os olhos e tento me acalmar, consigo... já sei o que fazer.
já perdi a conta de quantas vezes me aconteceu o mesmo...
percorro o caminho mais longo, mais solitário, mais calmo..."

20.1.05

"à minha volta tudo se dilui lentamente numa espécie de algodão.
se quiser, posso não observar nem ouvir nada do mundo exterior.
basta querer e pronto! estou só no mundo..."

sem alarmes nem surpresas, aqui fechado, escondido do sol...
só assim...

18.1.05

o turbilhão de sentimentos não descança dentro de mim.
voltei a cair na apatia doente que me rouba a vontade...
a vontade de viver todos os promenores do dia,
a vontade de comunicar e procurar os outros,
a vontade para perseguir qualquer sonho...

já não aguento falhar, a tudo, a todos...

11.1.05

mal a vi perdi todas as forças,
senti de imediato aquele aperto no estômago...
é sempre assim, não consigo evitar... é bom.
quando o momento é certo viajo e solto me,
é o mais perto que consigo chegar dela...

7.1.05

tou todo queimado por dentro,
mas é a forma de lá chegar.
os olhos fecham se e uma ternura imensa invade me a alma...
e é tão bom sentir me assim...

1.1.05

não cumpri a última promessa do ano...
com tudo o que se passou nos últimos dias,
já nem sei o que sentir ou como agir...
por isso fujo sempre para aqui, assim.

alguns continuam a não perceber e julgar.
eu continuo a decidir o que me faz feliz,
nem que já não seja sempre, sabendo do
que aconteçe se não for o momento certo...
faz parte da minha vida e não é o problema,
esse está em mim e só eu o posso mudar.
acredito que vou parar no momento certo...

"porque é bom.
porque aquilo torna uma pessoa feliz.
permite suportar melhor a fadiga, ajuda a viver,
a suportar os aborrecimentos, a ver melhor a
verdade das coisas, a fazer adivinhar relações
e associações entre coisas que se levam anos
a encontrar por si só, ou talvez nunca cheguem
a descobrir..."

"além de enfraquecer o corpo, ... ataca a vontade,
a força de carácter. faz dramatizar as coisas,
transtorna as reacções. eis porque eu tomei por
catástrofes acontecimentos que em tempo
ordinário não teria tomado por montanhas."

"as pessoas são por natureza calmas, perguiçosas.
é exactamente o que é preciso..."

31.12.04

à pessoas que nos deixam felizes,
só porque também o estão...
eu quero ser uma dessas pessoas...
não quero ter vergonha de nada,
sinto falta de me sentir seguro...

por isso, vou agarrar a oportunidade hoje...

30.12.04

tomei consciência do que implica a viagem do irmão...
só agora sinto o peso de tudo, só agora percebi...
admiro e respeito a vontade de querer mais,
inconformado... queres ver e sentir mais, mais...

no fim, despedimo nos como sempre,
como se amanhã fossemos partilhar outra...

9.12.04

hoje não passei um minuto em paz... até agora.
acordei cedo, o teste correu bem... mas não adianta.
o medo não é a nada mas é a tudo, não o vejo...
tira me a vontade de lutar por qualquer coisa.
desta vez fez me bem e levou me para longe...
ontem deixou me em pânico e paranóico.
quando estou assim nada pode interferir,
um som pode ser o mais belo de sempre,
outro pode rasgar me completamente,
uma imagem pode me encantar e parar o tempo,
outra pode me atirar para o medo e a tristeza...

percebo que não posso continuar assim.
tenho tantas pessoas à minha volta,
e nenhuma conheçe realmente este eu,
simplesmente porque não mostro...
mas quando é que ganho coragem para mudar?

3.12.04

vou juntando pequenas desilusões e frustações,
parece que as deixo passar, mas ficam cá dentro.
e é difícil não deixar que tudo isso me leve para baixo...
para isso bastam os meus próprios fantasmas,
não preciso de carregar as cruzes dos outros...

vou continuar a fechar os olhos e andar em frente...

30.11.04

lisboa está linda hoje, aconchegadora...
apesar de tudo contínua a chamar me,
e eu passeio pelas ruas com prazer...
antes das coisas sérias subi bem alto,
e quando aqui cheguei, para trabalhar,
olho lá para fora e contínuo a viajar,
a ponte, o rio, as ruas sujas e majestosas,
o verde de monsanto, o cinza das nunvens.

despeço me do sol e preparo me para abraçar a noite...

26.11.04

nem um momento depressivo, nada...
o dia foi cheio e novo, novas pessoas e sítios,
e sem vergonha, continuei a viajar bem alto,
não deixei nada por fazer ou por dizer...
sabe tão bem assim, neste momento,
não sinto mais nada que ternura e amor,
por mim, pelos meus, por ti...

se fosse sempre assim...

23.11.04

já não aguento mais nada hoje, não consigo ter paz...
só me resta esqueçer e esforçar me mais amanhã...

"of all i knew, her held too few.
and would you stop me, if i try to stop you.

old songs stay 'til the end.
sad songs remind me of friends.
and the way it is, i could leave it all
and i ask myself, would you care at all.

when i drive alone at night, i see the streetlights as fairgrounds
and i tried a hundred times to see the road signs as day-glo.

old songs, stay till the end.
sad songs, remind me of friends.
and the way it is, i could leave it all
and i ask myself, would you care at all."

mogwai - cody

22.11.04

tomei consciência do que não me deixa aproximar dela,
não é só o medo da rejeição, é também medo dela aceitar...
percebi a verdade quando já me tinha desligado do mundo,
quando me tinha intoxicado ao ponto de não falar nem mexer,
quando os movimentos não contam, e estou sozinho para pensar.
a conclusão a que chego é a mesma, tornei me num ser complicado,
complexado e triste...
não estou sozinho nisto, reconheço essa tristeza nos que me rodeiam.
crescemos e perdemos aquela alegria pura de viver, pois agora esse
espaço é ocupado com as nossas preocupações de "adultos"...
não me sinto mais "adulto" do que há cinco, seis, sete anos atrás...
mas não deixo de ter as tais preocupações... é o esperado por todos.
sei que vai ser sempre assim, mas já não vou ao fundo a pensar nisso,
cada vez me sinto mais seguro do que tenho de fazer, do que quero fazer,
vou ganhando coragem e vontade de voltar a ocupar o meu espaço...
vou ficando cada vez mais "habituado" ao aditivo diário, ao alimento...
já está enraizado na minha vida, já sei o quê, o quando, o quanto... tudo.
pode ser díficil de acreditar mas faz me um bem tremendo,
quando o momento é certo leva me onde quero ir, sem problemas...
não é moda, não é para impressionar ninguém, não é um estilo de vida,
não é um vício decadente e degradante, não me mudou para pior.
faz tudo à nossa verdadeira imagem, é bom se nós quisermos...

"... insisto, mas é preciso recordar que a partir de agora estou
continuamente sob o efeito da droga e que as minhas reacções
são exarcebadas, multiplicadas por cem."
Charles Duchaussois

20.11.04

a música acompanha a minha melancolia,
mas não como antes, agora é com esperança...
naquele altura era o que sentia e o que queria.
perdi todo o pudor e a vergonha e sonhei,
sempre com a mesma música lá no fundo...
sempre a mesma ternura tímida e infantil...
sempre o medo à espreita para me humilhar...
mas não importa, basta fechar os olhos
e procurar verdadeiramente chegar lá...
sempre com a mesma música lá no fundo,
sempre a lembrar do que há fora daqui...

"...how many days will it take to end
how many ways to reach your hand, oh
you and i..."

Interpol - Public Pervert

17.11.04

foi tudo tão simples que me deixou feliz.
tratei de todas as burocracias chatas,
das interacções socias, quase mecânicas.
voltei aos transportes públicos, cheios,
mas em que toda a gente vai sozinha...
voltei à faculdade triste e cinzenta,
onde encontro os amigos, e não colegas...
voltei às longas caminhadas por lisboa,
onde passeio entre a miséria e o esplendor...
agora resta me aproveitar a noite e viajar...

16.11.04

tenho passado os dias encharcado em haxixe...
o tempo passou bem devagar e sem surpresas.
tive o meu mundo todo para mim... calmo...
os meus fantasmas deram me tréguas.
tempo de paz e de contemplação, de me amar.
viagem após viagem, as sensações aumentam,
os pensamentos voam completamente livres...
o resto do mundo que saiba esperar por mim,
é a minha vez de ser invejoso e irracional...

amanhã vou acordar desta noite que durou três dias,
amanhã vou acordar para um novo dia... vou voltar...

8.11.04

foi um fim de semana óptimo... ou quase.
recuperei alguma da vontade do "antes",
planos para fazer por e com prazer...
os dias, só, onde o tempo não tem lugar.
a noite chega, e devagar, liberta me.
as horas passam e o que fica é bom,
os amigos são uma família, e isso é bom.

go or go ahead and surprise me...