20.11.05

nestas tardes frias e cinzentas, em paz,
sozinho, sou livre para ser eu próprio.
mas sei que não posso prolongar isto muito,
sob o risco de cair na tristeza de sempre...

sei o que devo fazer, o que tenho de fazer...

"i'm losing sleep a thousand miles away from
my you. unloved in the dialtone, it's just not
that simple when the perfect words don't ever
seem to fit. she just slipped under harmony
and now i'm empty handed. i'm just half empty,
a second best. somewhere it's too soon, just
not enough. it's never enough..."

converge - ten cents

13.11.05

tenho tanto para falar, para libertar,
mas agora não é o momento, agora não...
sentimentos mais nobres, a importância...
completamente intoxicado de amor e paz,
tudo induzido e premeditado e ainda assim,
não consigo deixar de aproveitar, delicio me...

a mesma pergunta assalta me vezes sem conta,
como posso eu deixar esta parte de mim para trás?

24.10.05

saudades sem fim por aqueles momentos...
limpo ou em viagem, a qualquer altura,
mais forte do que eu, sem me aperceber,
sem razão, que só iria estragar tudo...
uns instantes de felicidade em estado puro.

a verdade é que me abandonaram à muito.
agora, começo a sentir que podem voltar...

22.10.05

os papeis inverteram se e fui eu que resisti...
e mais uma vez confirmei aquilo em que acredito.
não passou de um impulso sem razão, fraqueza...
quase sem sentir, sem amor... só corpos tensos.
a ternura não conta quando não amo verdadeiramente,
não significa mais nada, não sinto mais nada depois.
dois corpos nus, suados, quentes e saciados de nada...

17.10.05

não gosto da importância que tenho para ti.
desculpa, fui eu que dei o primeiro passo,
mas mais uma vez precipitei me sem pensar.
não era assim que queria que acontece-se...

não devia de ser assim, mas ainda é cedo.
ainda preciso de me sentir sozinho, em paz...

13.10.05

não tenho tido tempo para nada,
estranhamente não me importei,
voltar aos poucos ao mundo...
novas pessoas na minha vida...

agora é continuar...

1.10.05

está tudo a acontecer, muito mais.
à uns meses atrás não aguentava...
agora não tenho medo de acordar,
de sentir o sol da manhã na cara.

ainda me falta crescer e viver muito.
os anos de hábito e medo marcaram...
mudaram me e despiram me de orgulho,
sei que tudo está guardado para sempre...

23.9.05

tenho de continuar a puxar por mim,
aos poucos acredito que vou conseguir
enfrentar tudo de cabeça erguida...

abrandei drasticamente o hábito...
agora, faço os horários dos outros,
tenho a mente ocupada em cumprir,
em mostrar aos outros, mais a mim,
que tenho um lugar no vosso mundo.
ainda não é o meu, não o sinto...

os meus fantasmas ainda dão a cara,
as mesmas lágrimas continuam a cair,
mas já não me roubam o sentido de ser.
chega de deliciar me na tristeza...

"jah works, jah works, jah works, jah works
i'm a man of fire... ooh, ooh, ooh
none of my doings shall never go wrong

jah hear i when i cry
jah hear i when i cry
'cause i'm a great meditator
yes, i'm a great meditator
wicked a roar like a roaming lion
trying to destroy thy sons and daughters

although i trad thru the valley of babylon
although i trad thru the valley of those wicked man
i will fear no evil for thou art with me from the beginning
till this day on
on an' on an' on"

the gladiators - jah works

espera me uma noite bem passada com os amigos...

19.9.05

esperei demais por este dia, demais.
é a oportunidade que tenho de mudar,
de sentir que posso fazer muito mais,
de crescer e procurar o meu rumo...

16.9.05

preciso de mais momentos como este.
não faço nada à demasiado tempo...
agora sinto falta de chegar à meta,
ter força e determinação em lá chegar.

tudo o que queria era acordar assim,
e sei que só depende de mim, só eu...
tenho de reter este momento e continuar,
quero parar de escrever esta vida...

chega de desculpas, medos e paranóias!

1.9.05

inconstância é a rainha do meu mundo.
eufórico, com sede de viver mais, mais...
em pânico, esmagado sob tudo e todos...
nas viagens é tudo multiplicado por 100,
mas fora delas só resta um grão de medo,
tão grande que o tomo por uma montanha...

vêm tempos de mudança, e não quero muito,
tranquilidade e força para continuar...
inconstância foi rainha do meu mundo... por favor

24.8.05

só espero um sinal teu, um olhar...
que me dê a confiança que me falta.
só com a tua ajuda vou chegar lá,
assim vou deixar de viajar sozinho...

"you know it's time
that we grow old and do some shit
i like it all that way..."

broken social scene - lover's spit

14.8.05

não me sais do pensamento, ainda bem...
enches me o coração com a nobreza do amor.
dás me a esperança de que tanto preciso...

molhar os meus lábios nos teus...

10.8.05

não estava à espera que fosse assim, não sei,
mas os dias afastado do meu lugar de afecto
fizeram me bem, levaram me a perceber melhor.
deixaram me viver, afastaram me do hábito...

ainda bem, sinto me capaz de enfrentar o mundo...

30.7.05

ontem à noite voltei a sair como dantes,
sem preocupações, sem vergonha ou medo.
a falta de haxixe não foi um problema.
aos poucos recupero a vontade de sair,
de estar com os amigos, de comunicar...
de viver todos os promenores do dia...

o que vou fazer agora?

24.7.05

acredito que me podes levar daqui.
preciso que me faças voltar à vida.
não ao cotidiano de todos os outros,
à nossa vida e ao amor que nos une.

preciso de me sentir amado por ti...
é contigo que quero partilhar tudo,
sem vergonha ou pudor, não é preciso.

e se me pudesses resgatar deste limbo?
preciso de uma razão para continuar...
só com o teu amor incondicional consigo...

minto

22.7.05

hoje senti a felicidade do irmão...
arranjou o emprego perfeito para ele,
que lhe vai permitir começar de novo,
longe de todos nós...

hoje senti a tristeza da minha mãe...
não compreende porque voltei ao hábito,
não posso fazer nada para a apaziguar,
voltou o medo de me ver a afundar...

também eu vou ter de começar de novo...

17.7.05

começo a conseguir me defender do mundo...

"first time they've called me a bastard
they even told me to get a proper haircut
when i rumble all of them tremble
because they get to know that i'm a lion

come and let us rise
let us rise up so high
jah people hear my cry...
let us stay how i can stand
and join ours hands and when i see your smile
can you see these in the sky
i sing this dance of dance of joy
'cause so long babylone i put demon down
that's why my sing say

first time they've called me a bastard
they even told me to get a proper haircut
when i rumble all of them tremble
because they get to know that i'm a lion..."

Patrice - Lions

14.7.05

sei que muitos não percebem a importância
do haxixe na minha vida, percebo perfeitamente.
à uns anos atrás só o nome dava me arrepios,
agora acompanha me, para o bem e para o mal...

voltei ao hábito porque preciso de sentir...

1.7.05

tenho tido vontade de escrever todos os dias,
mas não o faço para não ter de ler e enfrentar
aquilo pelo que estou a passar à semanas...

como tinha previsto, tive de romper com o hábito.
cada viagem levava me cada vez mais próximo da loucura.
deixei também as drogas prescritas pelos médicos...

bati bem no fundo da tristeza, não posso afundar mais.
acordo todos os dias na esperança de me livrar disto,
quero ter prazer em viver... quero aproveitar tudo...

"...it's like learning a new language
helps me catch up on my mind
if you don't bring up those lonely parts
this could be a good time..."

Interpol - Leif Erikson

17.6.05

hoje não tive "forças" para sair de casa.
com o telemóvel e o messenger desligados,
não quero lidar com nada nem com ninguém.
resisto ao máximo a "viajar", por medo...

"...we all wander out in the night under starlight
i just need one more fix to keep me away from it
i beg, i plead for you to leave me! leave me!
cause it's killing me and dragging me down...

if you were to give me your hand, i'd make you understand..."

vision of disorder - jada bloom

14.6.05

sabia exactamente o que ia acontecer,
mesmo assim arrisquei... e perdi...
em vez de me embalar até esquecer,
caí depressa numa confusão terrível,
suga me toda a alegria de continuar.

agora recorro à droga prescrita...
sei exactamente o que vai acontecer,
vou acalmar e perceber finalmente que
nem tudo é tão negro como pensei...
vou senir um vazio enorme, até à próxima...

10.6.05

assim vale a pena, nestes momentos dá me paz.
não preciso do sol, dos outros... de nada...
só interessa o que está guardado cá dentro...

"we live on a mountain
right at the top
there's a beautiful view
from the top of the mountain
every morning I walk towards the edge
and throw little things off
like car parts, bottles and cutlery
or whatever I find lying around

it's become a habit
a way to start the day

i go through all this
before you wake up
so I can feel happier
to be safe up here with you

it's early morning
no one is awake
i'm back at my cliff
still throwing things off
i listen to the sounds they make
on their way down
i follow with my eyes 'til they crash
imagine what my body would sound like
slamming against those rocks

when it lands
will my eyes
be closed or open?

i go through all this
before you wake up
so I can feel happier
to be safe up here with you"

bjork - hyperballad

3.6.05

passei as últimas três semanas em pânico...
não consigo encarar o mais pequeno problema.
é tudo demais para mim, tudo tão complicado.
temo ter chegado ao limite do que aguento...

as idas ao hospital afectam me profundamente.
umas horas chegam para me atirar à tristeza,
o cheiro, a atmosfera, as recordações,
os olhos daqueles onde só vejo dor...
é tudo demais para mim... atira me ao desespero...

16.5.05

estou a falar com ela como se os anos não tivessem passado,
sem que tenha sequer olhado directamente para os seus olhos.
as últimas palavras que lhe disse foram verdadeiras e sinceras,
nunca lhe desejei mal... muito pelo contrário...

2.5.05

bebo do silêncio da noite, devagar...
liberto me do mundo dos outros, em paz...

29.4.05

acordei para um dia daqueles... de medo.
está tudo igual, mas não consigo ter paz.
não posso ignorar que não sei a causa...
estou em "viagem" à três dias, sem parar.
agora, estou limpo, e por isso não funciono.
sei que estou no limite, não aguento muito mais...
para bem da minha sanidade mental e física,
tenho de continuar o hábito, mas devagar...

28.4.05

tenho passado mais tempo com a minha irmã,
as nossas conversas fazem me sentir seguro.
conheçe me bem... é minha amiga e confidente.
sei que compreende porque escolho viver assim...

24.4.05

sinto me capaz de enfrentar o mundo...
não tenho mais veneno a percorrer o corpo.
tenho amor, amizade, tranquilidade em mim.
não vou desistir de cá chegar... sozinho.
mas sei que vou lá chegar da "maneira certa".
vou teimar até deixar me ser feliz... ser livre...

devagar

22.4.05

estou mais ansioso do que é normal.
obrigo me a procurar viver como os outros.
até agora muitas das minhas tentativas,
resultaram num nevoeiro, do qual saio igual.
tenho a certeza de que neste fim de semana,
o mesmo vai acontecer, inevitávelmente...
porque não é o que quero... não interessa.

17.4.05

oiço os mesmo versos até não restar nada...

"...it's like learning a new language
helps me catch up on my mind
if you don't bring up those lonely parts
this could be a good time

it's like learning a new language
you come here to me
we'll collect those lonely parts
and set them down
you come here to me...

she says brief things
her love's a pony
my love's subliminal

she says brief things
her love's a pony
my love's subliminal"

Interpol - Leif Erikson
estou a falar agora com o irmão, estou lá.
faz me sentir umas saudades imensas, assim.
faz me falta a companhia, a partilha...

15.4.05

quando mantenho os dias ocupados em algo,
consigo fugir dos dramas, mas não sou eu.
quando viajo, dormente, pela noite dentro,
perco me em mim, sinto tudo por mim...
não encontro meio termo, nem procuro um.
o pânico é banal como a pedra que inalo.
descubro um eu mais honesto, mais simples,
com mais amizade e amor para partilhar...
mas nem tudo sai de dentro de mim.

o problema é o que não faço, não o que sinto...

"...i wear this crown of shit
upon my liar's chair
full of broken thoughts
i cannot repair
beneath the stains of time
the feeling disappear
you are someone else
i am still right here..."

9.4.05

uma semana de jejum, uma noite que me faz feliz.
é preciso tão pouco mas exige tanto de nós...
mas vale a pena passar por tudo, para chegar cá.
levou me a expulsar todo o podre de dentro de mim,
provei que ainda sou eu que sinto por mim...

o olhar deixa me constrangido, não te enfrento.
é amor e não ódio o que sinto... mas diferente.
o que mais me magoa é a tua vergonha de saber.
de saber que te amei... não percebo porquê...
deixa me doente ver isso em ti, não percebo...

4.4.05

cada vez mais dou por mim assim,
calado, alheio a tudo e todos...
procuro a companhia física, só isso.
fumo, e por uns minutos viajo,
sozinho, absorto no meu mundo...
às vezes, perto de chegar lá.
outras, afogado nos meus dramas.
é o somatório dos meus dias...

24.3.05

"yeah, the sun it rises in the east everyday
you can see it's the same, then you'll see it my way
yeah, the sun it sets in the west where it grows
yeah, the best I heard, dreadlock man he say so
there they sit at the foot of the mountain
taking hits of the sacred smoke
fire rips at their lungs
holy mountain take us away
yeah, the sun it rises in the east everyday
you can see it's the same, then you'll see it my way
yeah, the sun it sets in the west where it grows
yeah, the best I heard, dreadlock man he say so
there they sit at the foot of the mountain
taking hits of the sacred smoke
fire rips at their lungs
holy mountain take us away"

bongzilla - sacred smoke

17.3.05

pavlov's dog

"acordou para um dia primaveril, o sol começava a fugir...
assim que sentiu o cheiro das flores que respiravam lá fora,
começou a sufocar, o lugar de afecto fechava se sobre ele.
não evitou a rotina diária, fez tudo sem pensar, sem querer.
fugiu para o jardim de sempre, para o banco de sempre,
debaixo da mesma grande árvore... faz tudo parte do ritual.
sente se seguro e começa a acalmar, sabe do que precisa...
faz tudo muito devagar, vai ficar perfeita, é tudo perfeito.
a viagem já começou sem sequer se ter apercebido...
à medida que expira tudo o resto se mistura com o fumo,
o medo, a angustia, o podre do mundo... tudo esvanece..."

13.3.05

amanhã estou obrigado a começar um novo semestre.
não vou fazer mais do que me é pedido, também não
quero fazer menos, só quero que passe rápido...

a minha paciência para lições de moral, de quem
não sabe do que está a falar, está a esgotar...
sinceramente não sei quem está mais dormente,
eu ou eles...

"reformation at hand
our time to stand
misconceptions are a thing of the past
enslaved minds give birth to a new generation
your generation
the myth, a fiction of what you will believe
lies, corruption, financial catastrophe
legality, the only way
progressive hemp-minded, call for legality
ignorant and fearful, rejecting on 13
their foolish lies will break our backs beyond humanity
legality the only way"

brutal truth - choice of a new generation

8.3.05

"é preciso um esforço de vontade para compreender
qualquer coisa; mas depois tudo caminha bem.
tudo se passa lentamente, calmamente.
mesmo que vistos de fora os gestos tenham o
ar de se deslocarem a uma velocidade normal.
... quando o fumamos identificamos nos com as
coisas que contemplamos. somos a janela aberta
na nossa frente, o ramo da árvore que lá fora
se baloiça. pode mesmo ter se a impressão de
que nos fumamos a nós próprios.
moralmente as coisas são um pouco mais complexas.
como os sentidos estão exaltados, sente se,
regista se mais fortemente uma imagem ou um som.
sucede que se pode reagir mal a um som desagradável.
por exemplo, andar pelos grandes bulevardes depois
de ter fumado é muitas vezes doloroso. o movimento,
a agitação, o ruído são muito incómodos para
aquele que vive «au ralenti»..."

le grand voyage - charles duchaussois

7.3.05

esse dia vai chegar, eu espero, miserável...
ai sim, não vou sentir mais medo de viver.
vou esqueçer este sentimento de culpa,
não sei do quê, não sei porquê, apenas sinto a.
vou deixar de desiludir aqueles que não mereçem.
quero amar mais, quero deixar que me amem...
deixei me afundar, desliguei me suavemente...

são os pequenos promenores que me trazem de volta...

"i hurt myself today
to see if i still feel
i focus on the pain
the only thing that's real
the needle tears a hole
the old familiar sting
try to kill it all away
but i remember everything

what have i become?
my sweetest friend
everyone i know
goes away in the end
you could have it all
my empire of dirt
i will let you down
i will make you hurt

i wear this crown of shit
upon my liar's chair
full of broken thoughts
i cannot repair
beneath the stains of time
the feeling disappear
you are someone else
i am still right here

what have i become?
my sweetest friend
everyone i know
goes away in the end

you could have it all
my empire of dirt
i will let you down
i will make you hurt
if i could start again
a million miles away
i would keep myself
i would find a way"

nine inch nails - hurt

1.3.05

como eu quero sacudir esta tristeza...
quanto mais preciso de me sentir amado,
quanto mais preciso de me sentir realizado,
mais me isolo, mais me fecho no meu mundo...

os meus dramas não existem fora de mim...

"..and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love, no glory
no hero in her sky..."

damien rice - the blower's daughter

21.2.05

aquele brilho nos olhos é o mais honesto,
é cómico, eu bem sei, mas também puro...
de fora parece que estás a afundar, devagar.
vês outro mundo, moldado aos teus sentidos,
sentes, quase que vês a ligação entre tudo,
amas mais assim, o medo aumenta sem limites.
concedes toda a ternura, a todos, a tudo...
como posso eu desistir de viver isto...

17.2.05

não podia ser mais simples, ainda assim,
lança me na confusão... agora deliciosa,
podia me ter lançado ao desespero...
não é a altura de pensar assim, agora não,
tenho de me concentrar naquilo que me deixa feliz...

só aqui, assim, vou onde nunca fui, por dentro,
arranco de mim o que no resto do dia está a dormir,
este momento vai estar sempre comigo amanhã,
pelo menos até aguentar fingir viver um dia normal...
escolhi a forma mais cobarde de chegar lá...



não é a altura de pensar assim, agora não...

"...here I feel I wish I could just see it
the love the hate the things that separate
forcing conscious to conscious every small attack
it takes a small man to notice but not to act up
confrontation complication needs a foundation
i'm calm baby, i'm calm..."

interpol - song seven

9.2.05

há males que vêm por bem... é verdade.
ainda bem que não fujo à regra nisso.
o que aconteceu vai me obrigar a mudar,
pelo menos nessa parte de mim vou mudar,
e ainda bem...

5.2.05

não me sais do pensamento, ficas te de novo em mim.
e esse é o melhor high possível... esqueço os outros.
por momentos livras me do veneno que corre o corpo.

lembro me novamente como é bom me sentir assim.
se tudo fosse mais simples, sem rodeios nem jogos,
se conseguisses ultrapassar o que vês em mim,
se acreditasses nas palavras que te quero dizer...

"no more gold lights for the queen earth,
to keep you warm in your kingdoms,
high on the waves you make for us..."

4.2.05

"are you still into it? 'cause i'm still into it.
we haven't had sore bits for about a fortnight.
am i your only one? 'cause you're still my only one.
but if you need more, i'll just do it in some, right.
we should go into town and spend some money.
we could go to the pictures and see something funny.
we'd share a popcorn and we can go to the pub at night.
we can get right tanked up and go home and have a fight.
will you still miss me, when i'm gone?
is there love there, even when i'm wrong?
will you still kiss me, if you find out?
i will now leave you but don't follow me.
we could go into town and spend some money.
we could go to the pictures, go and see something funny.
share a popcorn and when it's finished we could go to the pub at night.
and get right pissed and go home and have a fight.
will you miss me, when i'm gone?
is there love there, even when i'm wrong?
will you still kiss me, if you find out?
i will leave you and i will miss you."

Mogwai - R U Still In 2 It?

queria que percebesses o que estava a sentir...
enquanto falávamos desliguei me do resto,
só ouvia a tua voz, só via o brilho dos teus olhos.
o tempo esperou que eu me lembrasse de tudo...

28.1.05

ainda não sai da mesma "viagem" que dura à dias,
estou um farrapo, não tenho força para nada...
não funciono a nível social, emocional, académico...
estou permanentemente anestesiado, só assim aguento.
é a única forma de aliviar a confusão dentro de mim.
é a única forma de aceitar perder dia após dia...

é tudo demais para mim...

22.1.05

"acabei de me acalmar, estou completamente intoxicado...
percebo isso quando olho em redor e tudo é diferente,
as minhas forças fugiram me e os sentidos estão mais sensíveis.
percorro o caminho mais longo, mais solitário, mais calmo.
agora as pessoas, os carros... o som da cidade são demais...
por isso oiço as músicas mais calmas, melancólicas, belas...
chego finalmente à estação, e imediatamente sinto me mudar.
as luzes fortes deixam me a descoberto, obrigam me a ver...
estão todos cheios de pressa, menos eu, estou quase parado...
o comboio vai enchendo, e o meu pânico cresce, sem razão.
é tudo demais para mim, entro numa confusão terrível...
sinto que estou a enlouquecer, quero gritar até ficar sem voz...
fecho os olhos e tento me acalmar, consigo... já sei o que fazer.
já perdi a conta de quantas vezes me aconteceu o mesmo...
percorro o caminho mais longo, mais solitário, mais calmo..."

20.1.05

"à minha volta tudo se dilui lentamente numa espécie de algodão.
se quiser, posso não observar nem ouvir nada do mundo exterior.
basta querer e pronto! estou só no mundo..."

sem alarmes nem surpresas, aqui fechado, escondido do sol...
só assim...

18.1.05

o turbilhão de sentimentos não descança dentro de mim.
voltei a cair na apatia doente que me rouba a vontade...
a vontade de viver todos os promenores do dia,
a vontade de comunicar e procurar os outros,
a vontade para perseguir qualquer sonho...

já não aguento falhar, a tudo, a todos...

11.1.05

mal a vi perdi todas as forças,
senti de imediato aquele aperto no estômago...
é sempre assim, não consigo evitar... é bom.
quando o momento é certo viajo e solto me,
é o mais perto que consigo chegar dela...

7.1.05

tou todo queimado por dentro,
mas é a forma de lá chegar.
os olhos fecham se e uma ternura imensa invade me a alma...
e é tão bom sentir me assim...

1.1.05

não cumpri a última promessa do ano...
com tudo o que se passou nos últimos dias,
já nem sei o que sentir ou como agir...
por isso fujo sempre para aqui, assim.

alguns continuam a não perceber e julgar.
eu continuo a decidir o que me faz feliz,
nem que já não seja sempre, sabendo do
que aconteçe se não for o momento certo...
faz parte da minha vida e não é o problema,
esse está em mim e só eu o posso mudar.
acredito que vou parar no momento certo...

"porque é bom.
porque aquilo torna uma pessoa feliz.
permite suportar melhor a fadiga, ajuda a viver,
a suportar os aborrecimentos, a ver melhor a
verdade das coisas, a fazer adivinhar relações
e associações entre coisas que se levam anos
a encontrar por si só, ou talvez nunca cheguem
a descobrir..."

"além de enfraquecer o corpo, ... ataca a vontade,
a força de carácter. faz dramatizar as coisas,
transtorna as reacções. eis porque eu tomei por
catástrofes acontecimentos que em tempo
ordinário não teria tomado por montanhas."

"as pessoas são por natureza calmas, perguiçosas.
é exactamente o que é preciso..."

31.12.04

à pessoas que nos deixam felizes,
só porque também o estão...
eu quero ser uma dessas pessoas...
não quero ter vergonha de nada,
sinto falta de me sentir seguro...

por isso, vou agarrar a oportunidade hoje...

30.12.04

tomei consciência do que implica a viagem do irmão...
só agora sinto o peso de tudo, só agora percebi...
admiro e respeito a vontade de querer mais,
inconformado... queres ver e sentir mais, mais...

no fim, despedimo nos como sempre,
como se amanhã fossemos partilhar outra...

9.12.04

hoje não passei um minuto em paz... até agora.
acordei cedo, o teste correu bem... mas não adianta.
o medo não é a nada mas é a tudo, não o vejo...
tira me a vontade de lutar por qualquer coisa.
desta vez fez me bem e levou me para longe...
ontem deixou me em pânico e paranóico.
quando estou assim nada pode interferir,
um som pode ser o mais belo de sempre,
outro pode rasgar me completamente,
uma imagem pode me encantar e parar o tempo,
outra pode me atirar para o medo e a tristeza...

percebo que não posso continuar assim.
tenho tantas pessoas à minha volta,
e nenhuma conheçe realmente este eu,
simplesmente porque não mostro...
mas quando é que ganho coragem para mudar?

3.12.04

vou juntando pequenas desilusões e frustações,
parece que as deixo passar, mas ficam cá dentro.
e é difícil não deixar que tudo isso me leve para baixo...
para isso bastam os meus próprios fantasmas,
não preciso de carregar as cruzes dos outros...

vou continuar a fechar os olhos e andar em frente...

30.11.04

lisboa está linda hoje, aconchegadora...
apesar de tudo contínua a chamar me,
e eu passeio pelas ruas com prazer...
antes das coisas sérias subi bem alto,
e quando aqui cheguei, para trabalhar,
olho lá para fora e contínuo a viajar,
a ponte, o rio, as ruas sujas e majestosas,
o verde de monsanto, o cinza das nunvens.

despeço me do sol e preparo me para abraçar a noite...

26.11.04

nem um momento depressivo, nada...
o dia foi cheio e novo, novas pessoas e sítios,
e sem vergonha, continuei a viajar bem alto,
não deixei nada por fazer ou por dizer...
sabe tão bem assim, neste momento,
não sinto mais nada que ternura e amor,
por mim, pelos meus, por ti...

se fosse sempre assim...

23.11.04

já não aguento mais nada hoje, não consigo ter paz...
só me resta esqueçer e esforçar me mais amanhã...

"of all i knew, her held too few.
and would you stop me, if i try to stop you.

old songs stay 'til the end.
sad songs remind me of friends.
and the way it is, i could leave it all
and i ask myself, would you care at all.

when i drive alone at night, i see the streetlights as fairgrounds
and i tried a hundred times to see the road signs as day-glo.

old songs, stay till the end.
sad songs, remind me of friends.
and the way it is, i could leave it all
and i ask myself, would you care at all."

mogwai - cody

22.11.04

tomei consciência do que não me deixa aproximar dela,
não é só o medo da rejeição, é também medo dela aceitar...
percebi a verdade quando já me tinha desligado do mundo,
quando me tinha intoxicado ao ponto de não falar nem mexer,
quando os movimentos não contam, e estou sozinho para pensar.
a conclusão a que chego é a mesma, tornei me num ser complicado,
complexado e triste...
não estou sozinho nisto, reconheço essa tristeza nos que me rodeiam.
crescemos e perdemos aquela alegria pura de viver, pois agora esse
espaço é ocupado com as nossas preocupações de "adultos"...
não me sinto mais "adulto" do que há cinco, seis, sete anos atrás...
mas não deixo de ter as tais preocupações... é o esperado por todos.
sei que vai ser sempre assim, mas já não vou ao fundo a pensar nisso,
cada vez me sinto mais seguro do que tenho de fazer, do que quero fazer,
vou ganhando coragem e vontade de voltar a ocupar o meu espaço...
vou ficando cada vez mais "habituado" ao aditivo diário, ao alimento...
já está enraizado na minha vida, já sei o quê, o quando, o quanto... tudo.
pode ser díficil de acreditar mas faz me um bem tremendo,
quando o momento é certo leva me onde quero ir, sem problemas...
não é moda, não é para impressionar ninguém, não é um estilo de vida,
não é um vício decadente e degradante, não me mudou para pior.
faz tudo à nossa verdadeira imagem, é bom se nós quisermos...

"... insisto, mas é preciso recordar que a partir de agora estou
continuamente sob o efeito da droga e que as minhas reacções
são exarcebadas, multiplicadas por cem."
Charles Duchaussois

20.11.04

a música acompanha a minha melancolia,
mas não como antes, agora é com esperança...
naquele altura era o que sentia e o que queria.
perdi todo o pudor e a vergonha e sonhei,
sempre com a mesma música lá no fundo...
sempre a mesma ternura tímida e infantil...
sempre o medo à espreita para me humilhar...
mas não importa, basta fechar os olhos
e procurar verdadeiramente chegar lá...
sempre com a mesma música lá no fundo,
sempre a lembrar do que há fora daqui...

"...how many days will it take to end
how many ways to reach your hand, oh
you and i..."

Interpol - Public Pervert

17.11.04

foi tudo tão simples que me deixou feliz.
tratei de todas as burocracias chatas,
das interacções socias, quase mecânicas.
voltei aos transportes públicos, cheios,
mas em que toda a gente vai sozinha...
voltei à faculdade triste e cinzenta,
onde encontro os amigos, e não colegas...
voltei às longas caminhadas por lisboa,
onde passeio entre a miséria e o esplendor...
agora resta me aproveitar a noite e viajar...

16.11.04

tenho passado os dias encharcado em haxixe...
o tempo passou bem devagar e sem surpresas.
tive o meu mundo todo para mim... calmo...
os meus fantasmas deram me tréguas.
tempo de paz e de contemplação, de me amar.
viagem após viagem, as sensações aumentam,
os pensamentos voam completamente livres...
o resto do mundo que saiba esperar por mim,
é a minha vez de ser invejoso e irracional...

amanhã vou acordar desta noite que durou três dias,
amanhã vou acordar para um novo dia... vou voltar...

8.11.04

foi um fim de semana óptimo... ou quase.
recuperei alguma da vontade do "antes",
planos para fazer por e com prazer...
os dias, só, onde o tempo não tem lugar.
a noite chega, e devagar, liberta me.
as horas passam e o que fica é bom,
os amigos são uma família, e isso é bom.

go or go ahead and surprise me...

6.11.04

imagino mil e um cenários, todos lindos...
a alma enche se de ternura e paixão.
o coração bate forte e a razão não responde.
felicidade e tristeza já não se separam,
o nosso objectivo, é para lá que caminha mos.
isto é para aqueles como eu...

31.10.04

"e os outros, os pobres, com o seu haxixe,
só aspiravam a uma coisa: ter paz..."
os dias de privação já passaram, e assim,
os dias esvaziam se de preocupações...

"everyday is good because of being alive,
from the day i was born till the day that i die..."

para mim, falta qualquer coisa para ser assim.
aos outros também falta sempre qualquer coisa.
somos assim, mais complicados do que é preciso...

24.10.04

tive a prova de que sou mais complicado...
já nem sei se me tornei nisto, ou se, sempre
vivi assim... não importa...
alguma coisa me importa realmente, agora?
poucas

mas acredito que crescemos cada vez que erramos.
podemos escolher aprender ou cair na trizteza,
posso escolher os dois? posso?

23.10.04

Soon forward, come turn me on
You told me that you soon forward, come turn me on, now
Turn your lamps down low, now
So we ain't gonna linger no more

In a time like this
I know the feeling is so hard to resist
So turn me on, turn me on, now
So turn me on, turn me on, now

Don't you stay too long
Slow right down, I'm coming on strong
Please don't let me wait
'Cause tonight is the night for our date, yeah
So turn me on, turn me on, now
So turn me on, turn me on, now

Turn your lamps down low, now
So we ain't gonna linger no more
In a time like this
I know the feeling is so hard to resist
So turn me on, turn me on, now
So turn me on, turn me on, now


Gregory Isaacs - Soon Foward
consegui juntar grande parte dos meus amigos hoje.
soube bem estar rodeado por todos, no sítio de sempre.
passei a noite a consumir o que me estava à frente.
adorei a noite...

cheguei a casa e o mais importante foi preparar outra...
é só o que preciso para chegar lá... aqui no meu sítio.

amanhã vou me encontrar com a mafalda...
é tudo o que importa agora...
vou me deitar, ouvir a música mais doce e viajar...

20.10.04

passei um dia calmo, sem pressa em nada...
à tarde estive no jardim da gulbenkian,
o sitio perfeito para partilhar uma.
tanto verde com cinza claro por cima...

já chega de tudo por hoje...

19.10.04

"...Quando o segundo me chega às mãos torno-me
audacioso e aspiro uma boa fumaça. A coisa vai,
não tusso e absorvo muito pouco ar. E depois, aquilo
começa a fazer o seu efeito. Desde há minutos que
me sinto bem. Tenho a impressão de planar. Não
encontro palavra mais justa para descrever esta
sensação. À minha volta tudo se dilui lentamente
numa espécie de algodão. Se quiser, posso não
observar nem ouvir nada do mundo exterior.
Basta querer e pronto! Estou só no mundo. Mas
se quiser fixar a minha atenção em qualquer
coisa, um objecto, um som ou um pensamento,
é fácil. Aquilo vem imediatamente para o primeiro
plano e o resto já não existe. Estou tranquilo, a
vida é bela e suave, o mundo é perfeito e maleável
e eu sinto-me voar docemente por cima de tudo.
Basta imaginar que estou a voar para que
verdadeiramente me sinta a voar.
Quanto às preocupações, adeus! Se praticamente
não tenho um centavo, o dinheiro que vá para o
diabo! Tudo se há de arranjar.
...É agora a quinta vez que o shilom me chega às
mãos e cada vez me sinto mais feliz. O tipo da
guitarra continua a tocar as mesmas árias
agridoces e nunca ouvi no mundo uma música
mais bela.
De vez em quando, como num sonho onde nos
sentimos voar, volto à terra por momentos.
Noto então que Johnny, o junkie, continua
deitado com a cabeça encostada à parede e
invade-me uma simpatia imensa por ele.
Vejo também outros tipos que se injectam
sem deixar de fumar. A esses também eu
concedo montes de amizade. De repente
tenho vontade de rir. Rio. E, estupefacto,
ouço-me rir com um riso incoercível, como
nunca ri em toda a minha vida, francamente,
com todo o meu coração, a garganta
escancarada, em gargalhadas de fazer
estalar o que resta das vidraças nas janelas
do quarto.
Isto desperta-me. Calo-me, um pouco
envergonhado. Lanço um olhar de viés
para os outros, que, nem sequer olharam
para mim. De repente volto a rir, porque
a vontade de rir é violenta, inexplicável,
mais forte do que eu..."

"Le Grand Voyage", Charles Duchaussois

16.10.04

gostava de estar a escrever outras palavras...

fora de mim, nada mudou de ontem para hoje.
ainda assim, cá dentro mudei sem perceber...
sem razão, mais uma vez, afundei me na tristeza.
com o telemóvel e o msn desligados, apenas
estive com os meus pais, porque teve de ser...
por mais de uma vez tive de lutar para guardar
as lágrimas, que caem sem perceber porquê...

15.10.04

cheguei a casa na fase descendente da viagem,
percebi que algo se passava, é tão fácil perceber.
fui directo ao meu quarto... isolado do resto.
sinceramente já nem me preocupo como antes,
ao fim de uns anos deixa de me trazer para baixo.
agora, há razões só minhas para isso...

já sei o que me espera há noite... dormente.

14.10.04

já sei que assim, a esta hora, não dá...
mas continuo a cair no mesmo, já sei disso...

continuo com força, mas também agarrado
a esta apatia que me faz sentir em casa.
preciso de acordar para as manhãs,
encarar mais um dia normal... e ai sim,
encher a cabeça de tudo e nada, pensar...
uma recompensa, uma necessidade benigna.

13.10.04

isto não devia ter acontecido...
ainda nem a tinha acabado, mas já estava lá.
apareçeu a minha mãe e disse me logo a verdade.
neguei e mostrei me ofendido... sou inocente.

está a mexer na minha vida mais do que devia...

12.10.04

ainda é cedo, mas já tenho a cabeça livre...
da burocracia do dia a dia, da miséria.
estou trancado no meu lugar de afecto,
com incenso a queimar... no escuro.
é tudo o que quero neste momento...

hoje percorri as ruas de lisboa a pé,
em vez de usar o metro como sempre.
já sinto o outono, já sinto vontade de andar...
andar por aí e ver tudo o que há para ver,
sentir a agitação em que todos vivem.
eu sempre calmo... ou dormente... ou com medo.
já não consigo distinguir... mas não interessa.
adorei o dia de hoje, adoro a noite de agora...
e sem muito esforço, foi simples, não sei...

7.10.04

fiz o mesmo caminho de sempre, sem energia...
sem vontade de sair do meu lugar de afecto.
cheguei à faculdade e senti o óbvio, já não devia
de estar aqui... as caras novas... não as quero ver

4.10.04

agora, não tenho nenhumas certezas...
sou inconstante nos pensamentos mais básicos,
sou inconstante nas acções mais simples,
sinto me castrado de aptidões sociais...

agora, nada disso importa...
cheguei lá depois de me darem o que precisava.
demorei mais a fazer, queria que fosse perfeita,
para o resultado ser este... calmo

3.10.04

não tenho nada meu há dias... agora não custa.
achei estranho, mas não me fez a falta que tinha
a certeza que iria fazer... à noite é mais dificil...

estou bem, estou limpo... devia de estar feliz...

29.9.04

...fiquei preso à dor do filme, a depressão encanta.
as drogas, a familia, as pressões, a faculdade...
só existem para alimentar a depressão,
só se vive para o drama e para a tristeza.
aprende se a só ser feliz desta maneira...

um charro bem forte para me deixar dormente,
uma música triste e monótona para me embalar,
a escuridão do meu quarto para me proteger,
o maço de tabaco, o isqueiro e as lágrimas acompanham me.

e continuamos encantados por ela... vivemos para ela...
é a mais linda, a única que me ama e não me vai deixar...

27.9.04

estive lá fora à bocado a alimentar a alma...
aproveitei para brincar com os meus cães.
obriguei me a sair e viver... se ia fumar,
pelo menos iria fazê lo ao sol, à luz...
fora da escuridão do meu lugar de afecto.
o dia, para mim, está óptimo... mas aqui,
sempre sei o que posso esperar, estou seguro...

25.9.04

estou na garagem, o rui dorme no sofá...
quis me aproveitar da X e ela está me
a por no meu lugar, afinal eu mereço...

antes pensei na mafalda, só pensei na mafalda... a mafalda...
porque é que apenas agora, depois de ter fumado e bebido,
consigo enfrentar estes sentimentos e desejos... vergonha.
afinal de contas sou "virgem" nestas lides... que piada...

tentei falar com a sofia... quero tudo, quero uma escapatória...
mas com a mafalda é diferente, mas devia ser com a X, mas...
o que é que quero? o que é que eu posso? não posso nada...
quero o que não posso ter... desprezei aquilo que pude ter
(para a próxima não ligo a questões morais... não interessam,
para estar agora assim como estou... não interessam...)

24.9.04

a ignorância e o paternalismo deixam me louco.
já não aguento receber lições "sobre a droga",
de pessoas que não fazem ideia do que estão a
falar... detesto reconhecer aquela expressão
de "perdoem no que ele não sabe o que faz"...

quando não faço a mínima ideia do que se está
a falar... calo me e oiço para aprender...
não me ponho a dar conselhos estúpidos e sem
qualquer fundo de verdade... porque não sabem!

confiar nos outros... não confiar em ninguém...
quantas vezes discuti isto com o meu pai.
até me provarem o contrário, eu confio...
no entanto, continuam a trair a minha confiança.
quando me abro totalmente para os outros
é porque preciso, é porque sou assim, e é assim
que os outros me devem de conheçer...
hoje tenho de dar razão ao meu pai...

18.9.04

devia de estar neste momento cheio de vida...
fiz hoje o meu último exame de época especial.

estou afundado na escuridão do meu lugar de afecto.
penso no que não fiz e deveria ter feito...
a culpa invade me e não me deixa viver.
eu mereço a tristeza, mereço o pânico, o medo...
eu tenho consciência do que quero, do que é
esperado de mim... mas não tenho força,
não tenho vontade, já esqueçi o que é ter "orgulho"...

hoje vou festejar o aniversário da irmã.
vou fumar assim que puder e vou esquecer,
vou "ser feliz" pela irmã... por muito que escreva não
vou conseguir demonstrar todo o amor que sinto...

9.9.04

um três : quatro cinco

hoje acordei num mar de contradições.
mal posei os pés no chão senti vontade de fumar.
aos primeiros sintomas de que lá tinha chegado,
arrependi-me... mas continuei a fumar...
nem sequer abri uma janela para ver o novo dia.

um seis: dois seis

vou para o jardim brincar com os meus cães,
está um dia óptimo...

8.9.04

em vez de tentar fumar o mais cedo possível,
agora tento adiar o momento...
não me estou a sentir bem assim, sozinho.
à dez minutos atrás não queria mais nada...

agora, estes momentos, não são de euforia e paz.
são de ansiedade e desassossego, são de culpa.

mas continuo cá, desconfortável na minha pele,
só posso mudar, não tenho outra hipótese...
espero que aconteça rápido, não quero afundar mais...

1.9.04

as nossas vidas são demasiado complicadas...
podia ser muito mais simples, sem que isso
signifique que fossem mais aborrecidas.
já não gosto de surpresas...

no meio desta doença ainda descubro
motivos para sorrir, para ser feliz.
são tantos, são simples, são puros...
são verdadeiros e só existem em mim.
são comos os teus, aqueles só teus...
preciso de estudar para os exames de setembro.
neste momento não tenho vida para nada...

a única coisa que realmente quero é ficar aqui,
sozinho, com o telemóvel desligado, sem precisar
de dar explicações a ninguém... sozinho.
ouvir as músicas mais belas e tristes, lentas.
pensar e viajar no que me deixa feliz...

dois... três anos, já não sei à quanto tempo
não falo com ela... não importa, não é nada.
ainda gosto muito dela... é o que importa...

23.8.04

"All these people drinking lover's spit
They sit around and clean their face with it
And they listen to teeth to learn how to quit
tied to a night they never met

You know it's time
that we grow old and do some shit
I like it all that way

All these people drinking lover's spit
Swallowing words while giving head
They listen to teeth to learn how to quit
tied to a night they never met

You know it's time
that we grow old and do some shit
I like it all that way"

Broken Social Scene - Lover's Spit

21.8.04

"variante de matilde, guerreira que combate com energia.
dócil e sincera, sente se feliz quando conquista a simpatia
dos outros, por isso, faz tudo para agradar aos amigos e não
se importa de ouvir as suas lamentações. muito conservadora,
coloca a família acima de tudo."

bebo mais e a ideia instala se cada vez mais em mim.
eu fiz por isso, mas não consegui comprar...
e continua a marcar o meu ritmo, o meu rumo.
mas sei o que quero, quero mudar acima de tudo...
queria te a ti para me acompanhares... um recomeço...
queria ter agora o que quer que fosse para fumar,
queria ter o suficiente para ficar dormente, e esquecer.
queria fumar o suficiente para não pensar demais.
queria adormecer o corpo e apenas respirar...
o suficiente para fechar os olhos e chegar lá...

"estendes a mão na minha direcção, fechas os olhos.
timidamente faço o mesmo... até as nossas mãos se tocarem"

as coisas não são ou preto ou branco, a vida não é assim.
não fumei mas o medo continua cá, mas sei o que quero.
acho que finalmente sei o que quero... ou o que não quero.
bebi... e vou cair aqui de novo certamente...
amanhã, na primeira oportunidade que tiver vou fumar...
tenho a certeza...

"o quanto eu te quero puxar para mim,
quero sentir o teu corpo colado ao meu."

a imagem que tenho de mim não muda, o medo não foge.
posso beber, posso passar o dia a fumar... não muda.
eu percebo isso! eu sei disso! continuo... vejo o podre e não me desvio.
não posso dizer mais que me torna uma pessoa melhor.
o que me pode tornar uma pessoa melhor?

"consegues me tornar uma pessoa melhor?
consigo... deixa me entrar no teu coração e juntos vamos recomeçar!"

senão fosse haxixe era outra coisa...
podia coleccionar selos, podia ser voluntário num hospital,
o quer que fosse... não importava... comigo é o haxixe,
é a bolota, é o pollen, é o alcool, é qualquer merda que me ponham à frente.
"é para os fracos de espirito", que seja! é de mim para mim próprio!

estou sozinho, por mais voltas que dê à coisa, estou sozinho.
e por minha culpa... estes momentos são minha culpa.
estes fantasmas que me assombram o dia a dia são feitos à minha nimagem.
já disse aqui que "estou estragado"... estou mesmo, sinto me assim.
mas vou (fazer por) mudar... só de escrever dá me vontade de rir...

"não olho para os teus olhos, com medo que vejas para além deles.
não quero que vejas o meu medo de ti, o meu medo dos outros..."

estou com a minha irmã, a sónia, a elsa e o rui...
estão comigo e não sabem que "estão" comigo.
como é que podes saber o que estou a sentir?
sei que tento ser tolerante, amigo, justo, honesto...
do que é que isso vale?
quando olhas para mim não vês isso, vês o que eu próprio vejo.
vejo o mário... vejo a vergonha, o medo...

"(suspiras) olho para ti e vejo me a mim... ao pé de ti.
vejo a única coisa que me completa... acredita em mim"

high on life... é impossível...
"acabei de fumar e acertei... sinto me óptimo, estou feliz!
sinto me capaz de enfrentar tudo e todos... mas não, para quê?
vou para o quarto e ligo a tv, para ver miséria, sofrimento,
desgraça, tristeza, crueldade... para ver o mal...
está longe de mim mas existe e está lá... como posso manter o sorriso?
como posso ficar na mesma assim? só consigo sentir mais ódio..."

19.8.04

acontece me tanto, principalmente nestes momentos...

a música molda me o estado de espirito,
consigo auto induzir sentimentos... controlar...
ora mais triste e solitário, ou mais alegre e quente,
pesado e brutal para acompanhar a minha raiva,
lento e (de)cadente para me balouçar cá em cima.

17.8.04

assim ninguem te ouve... estás sozinho.
a ideia acalma te, sentes a liberdade...
quase a rebentar dentro do teu peito.
continuas a caminhar no sentido contrário,
a fugir das pessoas, dos sitios, das situações...
por isso continuas aqui, como sempre.

16.8.04

só agora consegui lá chegar realmente... sinto me melhor...
só à segunda tive a paz necessária, tou a ouvir os sons certos.
devagar... consigo distingir todos, misturam se dentro de mim,
sinto me relaxado, fecho os olhos e mergulho no escuro...
já não tenho medo, pelo menos por agora... devagar... devagar...
de volta ao lugar de afecto, ao buraco escuro,
atípico e triste que me deixa à vontade...
não pode ser mais simples que isto, a existência perfeita (!?)

cheguei com algo a mais dentro de mim, venho diferente.
a insatisfação, o tomar de consciência da minha apatia não me largam.
"no alarms, and no surprises..." por favor...
mas não é assim que vou ser feliz de certeza. preciso de viver,
não posso continuar com este medo, não posso deixar que aquilo viva por mim.

nem bem longe daqui consegui me afastar... não resisto...

resta me um ano, o mais dificil e o mais exigente.
tenho vontade de viajar, aventurar me sozinho, e já sei como o fazer...
não é preciso muita coragem, só vontade de crescer e viver!
daqui a um ano, quero ler neste blog todos esses momentos.
quero sentir que valeu a pena, estou farto desta sensação de vazio,
como se não deixasse qualquer marca, como se não existisse...
à muito tempo que nada vale a pena...

voltei diferente. percebi os "o quê?", "quando?", "porquê?", etc...
foi preciso afundar me, foram precisos dois ataques de pânico,
quando estava no meio de milhares de pessoas em euforia...
foi preciso me sentir sozinho e desamparado no meio dos meus.

agora, não quero mais nada... só ficar sozinho nesta casa e subir bem alto.
adormecer a mente, a fala, os movimentos... e dançar a este som triste.
percebi também, definitivamente, que sou uma pessoa diferente,
com poucas capacidades sociais, com problemas de relacionamento... com medo.
só estou realmente à vontade, só sou eu verdadeiramente quando estou sozinho.

transformei me nisto à tanto tempo que tenho dificuldades
em lembrar de quando conseguia viver sem medo...
mas se sei o porquê, se tenho as respostas, porque é que não sigo em frente!?

a rotina junkie, dos últimos 15 dias, deixou me marcas físicas e psicológicas...
ainda assim, quando cá cheguei a minha primeira preocupação foi comprar.
já passei à muito a barreira do "consumo saudável", e não sou o único...
reconheço os mesmos sintomas e sinais no irmão e nos meus.
(... só estou à espera de ficar sozinho para cair no mesmo)

quero conheçer melhor a mafalda, com ela, sem saber porquê,
o medo diminui, o desejo aumenta, os meus sentidos ficam mais atentos.
penso nela... é nela que deposito a esperança, depois de saber o que sei.
pode não valer de nada, mas por enquanto...
(leio a sms que me enviou e uma sensação de euforia cresce dentro de mim,
é patético mas é verdade...)

preciso tanto de ficar sozinho, preciso de tempo só para mim.
durante estes dias muitos dos meus amigos confundiram esta necessidade,
com a apatia da droga, com a perguiça... quando na verdade não é assim.
estes momentos, nalguns dias, são tudo para mim...
só mesmo afundado na tristeza, na aparente apatia, me sinto bem.
gostaria que fosse diferente, mas já está enraizado em mim.

"preciso que me salves... preciso de ti ao meu lado"

a confusão e a angustia é tal, que só o charro me consegue resgatar.
ou melhor, agora já não é bem assim, já não chega um charro...
não chega uma garrafa de vodka, todo o veneno que ingerir não vai chegar!
eu sei disso! fodasse como eu sei disso!

dois episódios marcaram me profundamente. depois de fumar,
fumar, fumar, beber, fumar, fumar, beber... quando tudo era gozo,
de um momento para outro tudo muda:
dificuldade em respirar, em falar, confusão total, não consigo deixar de tremer.
a paranoia atinge o absurdo... está tudo a olhar para mim e a ver o que se passa.
estou em pânico, mas porquê!? à 2 minutos atrás estava a dançar alegremente!
só passa quando me afasto de tudo e de todos, e quando volto reparo
que nínguem deu por nada, não aconteceu nada, foi tudo na minha cabeça...
e porque é que aconteceu a mim e não aos outros que abusaram mais que eu?

como eu gostaria de escrever outras coisas, partilhar a minha alegria aqui...