consegui juntar grande parte dos meus amigos hoje.
soube bem estar rodeado por todos, no sítio de sempre.
passei a noite a consumir o que me estava à frente.
adorei a noite...
cheguei a casa e o mais importante foi preparar outra...
é só o que preciso para chegar lá... aqui no meu sítio.
amanhã vou me encontrar com a mafalda...
é tudo o que importa agora...
vou me deitar, ouvir a música mais doce e viajar...
23.10.04
20.10.04
19.10.04
"...Quando o segundo me chega às mãos torno-me
audacioso e aspiro uma boa fumaça. A coisa vai,
não tusso e absorvo muito pouco ar. E depois, aquilo
começa a fazer o seu efeito. Desde há minutos que
me sinto bem. Tenho a impressão de planar. Não
encontro palavra mais justa para descrever esta
sensação. À minha volta tudo se dilui lentamente
numa espécie de algodão. Se quiser, posso não
observar nem ouvir nada do mundo exterior.
Basta querer e pronto! Estou só no mundo. Mas
se quiser fixar a minha atenção em qualquer
coisa, um objecto, um som ou um pensamento,
é fácil. Aquilo vem imediatamente para o primeiro
plano e o resto já não existe. Estou tranquilo, a
vida é bela e suave, o mundo é perfeito e maleável
e eu sinto-me voar docemente por cima de tudo.
Basta imaginar que estou a voar para que
verdadeiramente me sinta a voar.
Quanto às preocupações, adeus! Se praticamente
não tenho um centavo, o dinheiro que vá para o
diabo! Tudo se há de arranjar.
...É agora a quinta vez que o shilom me chega às
mãos e cada vez me sinto mais feliz. O tipo da
guitarra continua a tocar as mesmas árias
agridoces e nunca ouvi no mundo uma música
mais bela.
De vez em quando, como num sonho onde nos
sentimos voar, volto à terra por momentos.
Noto então que Johnny, o junkie, continua
deitado com a cabeça encostada à parede e
invade-me uma simpatia imensa por ele.
Vejo também outros tipos que se injectam
sem deixar de fumar. A esses também eu
concedo montes de amizade. De repente
tenho vontade de rir. Rio. E, estupefacto,
ouço-me rir com um riso incoercível, como
nunca ri em toda a minha vida, francamente,
com todo o meu coração, a garganta
escancarada, em gargalhadas de fazer
estalar o que resta das vidraças nas janelas
do quarto.
Isto desperta-me. Calo-me, um pouco
envergonhado. Lanço um olhar de viés
para os outros, que, nem sequer olharam
para mim. De repente volto a rir, porque
a vontade de rir é violenta, inexplicável,
mais forte do que eu..."
"Le Grand Voyage", Charles Duchaussois
audacioso e aspiro uma boa fumaça. A coisa vai,
não tusso e absorvo muito pouco ar. E depois, aquilo
começa a fazer o seu efeito. Desde há minutos que
me sinto bem. Tenho a impressão de planar. Não
encontro palavra mais justa para descrever esta
sensação. À minha volta tudo se dilui lentamente
numa espécie de algodão. Se quiser, posso não
observar nem ouvir nada do mundo exterior.
Basta querer e pronto! Estou só no mundo. Mas
se quiser fixar a minha atenção em qualquer
coisa, um objecto, um som ou um pensamento,
é fácil. Aquilo vem imediatamente para o primeiro
plano e o resto já não existe. Estou tranquilo, a
vida é bela e suave, o mundo é perfeito e maleável
e eu sinto-me voar docemente por cima de tudo.
Basta imaginar que estou a voar para que
verdadeiramente me sinta a voar.
Quanto às preocupações, adeus! Se praticamente
não tenho um centavo, o dinheiro que vá para o
diabo! Tudo se há de arranjar.
...É agora a quinta vez que o shilom me chega às
mãos e cada vez me sinto mais feliz. O tipo da
guitarra continua a tocar as mesmas árias
agridoces e nunca ouvi no mundo uma música
mais bela.
De vez em quando, como num sonho onde nos
sentimos voar, volto à terra por momentos.
Noto então que Johnny, o junkie, continua
deitado com a cabeça encostada à parede e
invade-me uma simpatia imensa por ele.
Vejo também outros tipos que se injectam
sem deixar de fumar. A esses também eu
concedo montes de amizade. De repente
tenho vontade de rir. Rio. E, estupefacto,
ouço-me rir com um riso incoercível, como
nunca ri em toda a minha vida, francamente,
com todo o meu coração, a garganta
escancarada, em gargalhadas de fazer
estalar o que resta das vidraças nas janelas
do quarto.
Isto desperta-me. Calo-me, um pouco
envergonhado. Lanço um olhar de viés
para os outros, que, nem sequer olharam
para mim. De repente volto a rir, porque
a vontade de rir é violenta, inexplicável,
mais forte do que eu..."
"Le Grand Voyage", Charles Duchaussois
16.10.04
gostava de estar a escrever outras palavras...
fora de mim, nada mudou de ontem para hoje.
ainda assim, cá dentro mudei sem perceber...
sem razão, mais uma vez, afundei me na tristeza.
com o telemóvel e o msn desligados, apenas
estive com os meus pais, porque teve de ser...
por mais de uma vez tive de lutar para guardar
as lágrimas, que caem sem perceber porquê...
fora de mim, nada mudou de ontem para hoje.
ainda assim, cá dentro mudei sem perceber...
sem razão, mais uma vez, afundei me na tristeza.
com o telemóvel e o msn desligados, apenas
estive com os meus pais, porque teve de ser...
por mais de uma vez tive de lutar para guardar
as lágrimas, que caem sem perceber porquê...
15.10.04
cheguei a casa na fase descendente da viagem,
percebi que algo se passava, é tão fácil perceber.
fui directo ao meu quarto... isolado do resto.
sinceramente já nem me preocupo como antes,
ao fim de uns anos deixa de me trazer para baixo.
agora, há razões só minhas para isso...
já sei o que me espera há noite... dormente.
percebi que algo se passava, é tão fácil perceber.
fui directo ao meu quarto... isolado do resto.
sinceramente já nem me preocupo como antes,
ao fim de uns anos deixa de me trazer para baixo.
agora, há razões só minhas para isso...
já sei o que me espera há noite... dormente.
14.10.04
já sei que assim, a esta hora, não dá...
mas continuo a cair no mesmo, já sei disso...
continuo com força, mas também agarrado
a esta apatia que me faz sentir em casa.
preciso de acordar para as manhãs,
encarar mais um dia normal... e ai sim,
encher a cabeça de tudo e nada, pensar...
uma recompensa, uma necessidade benigna.
mas continuo a cair no mesmo, já sei disso...
continuo com força, mas também agarrado
a esta apatia que me faz sentir em casa.
preciso de acordar para as manhãs,
encarar mais um dia normal... e ai sim,
encher a cabeça de tudo e nada, pensar...
uma recompensa, uma necessidade benigna.
13.10.04
12.10.04
ainda é cedo, mas já tenho a cabeça livre...
da burocracia do dia a dia, da miséria.
estou trancado no meu lugar de afecto,
com incenso a queimar... no escuro.
é tudo o que quero neste momento...
hoje percorri as ruas de lisboa a pé,
em vez de usar o metro como sempre.
já sinto o outono, já sinto vontade de andar...
andar por aí e ver tudo o que há para ver,
sentir a agitação em que todos vivem.
eu sempre calmo... ou dormente... ou com medo.
já não consigo distinguir... mas não interessa.
adorei o dia de hoje, adoro a noite de agora...
e sem muito esforço, foi simples, não sei...
da burocracia do dia a dia, da miséria.
estou trancado no meu lugar de afecto,
com incenso a queimar... no escuro.
é tudo o que quero neste momento...
hoje percorri as ruas de lisboa a pé,
em vez de usar o metro como sempre.
já sinto o outono, já sinto vontade de andar...
andar por aí e ver tudo o que há para ver,
sentir a agitação em que todos vivem.
eu sempre calmo... ou dormente... ou com medo.
já não consigo distinguir... mas não interessa.
adorei o dia de hoje, adoro a noite de agora...
e sem muito esforço, foi simples, não sei...
7.10.04
4.10.04
agora, não tenho nenhumas certezas...
sou inconstante nos pensamentos mais básicos,
sou inconstante nas acções mais simples,
sinto me castrado de aptidões sociais...
agora, nada disso importa...
cheguei lá depois de me darem o que precisava.
demorei mais a fazer, queria que fosse perfeita,
para o resultado ser este... calmo
sou inconstante nos pensamentos mais básicos,
sou inconstante nas acções mais simples,
sinto me castrado de aptidões sociais...
agora, nada disso importa...
cheguei lá depois de me darem o que precisava.
demorei mais a fazer, queria que fosse perfeita,
para o resultado ser este... calmo
3.10.04
29.9.04
...fiquei preso à dor do filme, a depressão encanta.
as drogas, a familia, as pressões, a faculdade...
só existem para alimentar a depressão,
só se vive para o drama e para a tristeza.
aprende se a só ser feliz desta maneira...
um charro bem forte para me deixar dormente,
uma música triste e monótona para me embalar,
a escuridão do meu quarto para me proteger,
o maço de tabaco, o isqueiro e as lágrimas acompanham me.
e continuamos encantados por ela... vivemos para ela...
é a mais linda, a única que me ama e não me vai deixar...
as drogas, a familia, as pressões, a faculdade...
só existem para alimentar a depressão,
só se vive para o drama e para a tristeza.
aprende se a só ser feliz desta maneira...
um charro bem forte para me deixar dormente,
uma música triste e monótona para me embalar,
a escuridão do meu quarto para me proteger,
o maço de tabaco, o isqueiro e as lágrimas acompanham me.
e continuamos encantados por ela... vivemos para ela...
é a mais linda, a única que me ama e não me vai deixar...
27.9.04
estive lá fora à bocado a alimentar a alma...
aproveitei para brincar com os meus cães.
obriguei me a sair e viver... se ia fumar,
pelo menos iria fazê lo ao sol, à luz...
fora da escuridão do meu lugar de afecto.
o dia, para mim, está óptimo... mas aqui,
sempre sei o que posso esperar, estou seguro...
aproveitei para brincar com os meus cães.
obriguei me a sair e viver... se ia fumar,
pelo menos iria fazê lo ao sol, à luz...
fora da escuridão do meu lugar de afecto.
o dia, para mim, está óptimo... mas aqui,
sempre sei o que posso esperar, estou seguro...
25.9.04
estou na garagem, o rui dorme no sofá...
quis me aproveitar da X e ela está me
a por no meu lugar, afinal eu mereço...
antes pensei na mafalda, só pensei na mafalda... a mafalda...
porque é que apenas agora, depois de ter fumado e bebido,
consigo enfrentar estes sentimentos e desejos... vergonha.
afinal de contas sou "virgem" nestas lides... que piada...
tentei falar com a sofia... quero tudo, quero uma escapatória...
mas com a mafalda é diferente, mas devia ser com a X, mas...
o que é que quero? o que é que eu posso? não posso nada...
quero o que não posso ter... desprezei aquilo que pude ter
(para a próxima não ligo a questões morais... não interessam,
para estar agora assim como estou... não interessam...)
quis me aproveitar da X e ela está me
a por no meu lugar, afinal eu mereço...
antes pensei na mafalda, só pensei na mafalda... a mafalda...
porque é que apenas agora, depois de ter fumado e bebido,
consigo enfrentar estes sentimentos e desejos... vergonha.
afinal de contas sou "virgem" nestas lides... que piada...
tentei falar com a sofia... quero tudo, quero uma escapatória...
mas com a mafalda é diferente, mas devia ser com a X, mas...
o que é que quero? o que é que eu posso? não posso nada...
quero o que não posso ter... desprezei aquilo que pude ter
(para a próxima não ligo a questões morais... não interessam,
para estar agora assim como estou... não interessam...)
24.9.04
a ignorância e o paternalismo deixam me louco.
já não aguento receber lições "sobre a droga",
de pessoas que não fazem ideia do que estão a
falar... detesto reconhecer aquela expressão
de "perdoem no que ele não sabe o que faz"...
quando não faço a mínima ideia do que se está
a falar... calo me e oiço para aprender...
não me ponho a dar conselhos estúpidos e sem
qualquer fundo de verdade... porque não sabem!
confiar nos outros... não confiar em ninguém...
quantas vezes discuti isto com o meu pai.
até me provarem o contrário, eu confio...
no entanto, continuam a trair a minha confiança.
quando me abro totalmente para os outros
é porque preciso, é porque sou assim, e é assim
que os outros me devem de conheçer...
hoje tenho de dar razão ao meu pai...
já não aguento receber lições "sobre a droga",
de pessoas que não fazem ideia do que estão a
falar... detesto reconhecer aquela expressão
de "perdoem no que ele não sabe o que faz"...
quando não faço a mínima ideia do que se está
a falar... calo me e oiço para aprender...
não me ponho a dar conselhos estúpidos e sem
qualquer fundo de verdade... porque não sabem!
confiar nos outros... não confiar em ninguém...
quantas vezes discuti isto com o meu pai.
até me provarem o contrário, eu confio...
no entanto, continuam a trair a minha confiança.
quando me abro totalmente para os outros
é porque preciso, é porque sou assim, e é assim
que os outros me devem de conheçer...
hoje tenho de dar razão ao meu pai...
18.9.04
devia de estar neste momento cheio de vida...
fiz hoje o meu último exame de época especial.
estou afundado na escuridão do meu lugar de afecto.
penso no que não fiz e deveria ter feito...
a culpa invade me e não me deixa viver.
eu mereço a tristeza, mereço o pânico, o medo...
eu tenho consciência do que quero, do que é
esperado de mim... mas não tenho força,
não tenho vontade, já esqueçi o que é ter "orgulho"...
hoje vou festejar o aniversário da irmã.
vou fumar assim que puder e vou esquecer,
vou "ser feliz" pela irmã... por muito que escreva não
vou conseguir demonstrar todo o amor que sinto...
fiz hoje o meu último exame de época especial.
estou afundado na escuridão do meu lugar de afecto.
penso no que não fiz e deveria ter feito...
a culpa invade me e não me deixa viver.
eu mereço a tristeza, mereço o pânico, o medo...
eu tenho consciência do que quero, do que é
esperado de mim... mas não tenho força,
não tenho vontade, já esqueçi o que é ter "orgulho"...
hoje vou festejar o aniversário da irmã.
vou fumar assim que puder e vou esquecer,
vou "ser feliz" pela irmã... por muito que escreva não
vou conseguir demonstrar todo o amor que sinto...
9.9.04
um três : quatro cinco
hoje acordei num mar de contradições.
mal posei os pés no chão senti vontade de fumar.
aos primeiros sintomas de que lá tinha chegado,
arrependi-me... mas continuei a fumar...
nem sequer abri uma janela para ver o novo dia.
um seis: dois seis
vou para o jardim brincar com os meus cães,
está um dia óptimo...
hoje acordei num mar de contradições.
mal posei os pés no chão senti vontade de fumar.
aos primeiros sintomas de que lá tinha chegado,
arrependi-me... mas continuei a fumar...
nem sequer abri uma janela para ver o novo dia.
um seis: dois seis
vou para o jardim brincar com os meus cães,
está um dia óptimo...
8.9.04
em vez de tentar fumar o mais cedo possível,
agora tento adiar o momento...
não me estou a sentir bem assim, sozinho.
à dez minutos atrás não queria mais nada...
agora, estes momentos, não são de euforia e paz.
são de ansiedade e desassossego, são de culpa.
mas continuo cá, desconfortável na minha pele,
só posso mudar, não tenho outra hipótese...
espero que aconteça rápido, não quero afundar mais...
agora tento adiar o momento...
não me estou a sentir bem assim, sozinho.
à dez minutos atrás não queria mais nada...
agora, estes momentos, não são de euforia e paz.
são de ansiedade e desassossego, são de culpa.
mas continuo cá, desconfortável na minha pele,
só posso mudar, não tenho outra hipótese...
espero que aconteça rápido, não quero afundar mais...
1.9.04
as nossas vidas são demasiado complicadas...
podia ser muito mais simples, sem que isso
signifique que fossem mais aborrecidas.
já não gosto de surpresas...
no meio desta doença ainda descubro
motivos para sorrir, para ser feliz.
são tantos, são simples, são puros...
são verdadeiros e só existem em mim.
são comos os teus, aqueles só teus...
podia ser muito mais simples, sem que isso
signifique que fossem mais aborrecidas.
já não gosto de surpresas...
no meio desta doença ainda descubro
motivos para sorrir, para ser feliz.
são tantos, são simples, são puros...
são verdadeiros e só existem em mim.
são comos os teus, aqueles só teus...
preciso de estudar para os exames de setembro.
neste momento não tenho vida para nada...
a única coisa que realmente quero é ficar aqui,
sozinho, com o telemóvel desligado, sem precisar
de dar explicações a ninguém... sozinho.
ouvir as músicas mais belas e tristes, lentas.
pensar e viajar no que me deixa feliz...
dois... três anos, já não sei à quanto tempo
não falo com ela... não importa, não é nada.
ainda gosto muito dela... é o que importa...
neste momento não tenho vida para nada...
a única coisa que realmente quero é ficar aqui,
sozinho, com o telemóvel desligado, sem precisar
de dar explicações a ninguém... sozinho.
ouvir as músicas mais belas e tristes, lentas.
pensar e viajar no que me deixa feliz...
dois... três anos, já não sei à quanto tempo
não falo com ela... não importa, não é nada.
ainda gosto muito dela... é o que importa...
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